quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ode ao Realismo!

A justiça da homenagem, que raramente é realizada de fato, estaria feita se eu começasse esse blog com uma produção artística que justificaria não só o meu apego à arte, mas mesmo a sua própria existência. Seria ela, sem dúvida, uma obra essencialmente realista. Se bem que eu não seria de modo algum injusto se eu lançasse esse blog com uma miséria pós-moderna: só se justifica a defesa enfática do realismo em virtude da persistência dessas contrariações fugazes mas em contínua e sustentável substituição. Porém, escolhendo esta alternativa eu seria desaforado com o mundo fragmentário – que diz impossível o estabelecimento de metanarrativas e discursos totalizantes (“totalitários”) – preferindo Marcel Duchamp a Andy Wharol, Beatles a Madonna, Paulo Coelho a JK Rowling ou Nam June Paik a Almodóvar. E escolhendo a primeira opção, tentando fazer justiça a meus grandes mestres estéticos, seria doloroso ter que optar por um ou outro dentre Balzac, Kafka, Machado de Assis, Tolstoi, Shakespeare, Beethoven, Bach, Picasso, Goya, Kubrick, Kurosawa e tantos outros ícones realistas.

Sinto-me um pouco satisfeito, então, tento citado alguns dos meus deuses e meus demônios. Espero, ao longo das postagens, defender aqueles e repudiar esses, mostrando porque uns estão fadados à eternidade enquanto de outros o tempo (curto) dará conta. Não sou eu, nem ninguém (talvez com a honrosa exceção de Lukács), que conseguirá convencer a gregos e troianos (para usar Homero que não coloquei na minha lista acima) que a arte só é ARTE se realista ela for, ou seja, se refletir, a seu modo, a realidade objetiva. O tempo, repito, se encarregará dessa fácil missão. Vou tentar exigir de um neto, se inteligente e estudado for, que cumpra uma promessa por mim: se em 2100 se continuar a apreciar e a estudar os “artistas” pós-modernos citados, ele pode queimar tudo o que eu tenha escrito (para não dizer que possa queimar toda minha biblioteca eminentemente realista). Ou pode, o que também não deixa de ser uma decisão sensata, desistir de sua resistência. Pode, ainda e por fim, se entregar, de corpo e alma, à esses prazeres sensórios fugazes. Essa última alternativa, cá pra nós, não esbanja dignidade.

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