Ou melhor, nem deveria ter vindo! Sei que você não vai concordar comigo, mas te desafio a me responder a essa pergunta: o que é que ele trouxe de útil para o desenvolvimento humano?
Considero um artista aquele que nos consegue fazer refletir sobre a realidade dada, sobre o contexto histórico no qual ele se insere, sobre as contradições do ser-humano. O realismo não é, portanto, um estilo ou um método, mas o ponto principal de tudo que se pretende arte. A tendência de nossa pós-modernidade é justamente subverter essa lógica: a “arte” celebrada é aquela que apela – se não única, principalmente – para o sensório, o emotivo, o superficial, que vangloria a forma em detrimento do (agora secundário) conteúdo, que, por fim, consegue abarcar o maior número de pessoas possível, para, além de lucrar, nos empurrar cada vez mais para uma vida desintelectualizada, bestial, acrítica e de prazeres fugazes.
Michael Jackson, então, tem todas essas características pós-modernas, o que me faz julgá-lo como mais um ícone da degradação artística (no caso dele, degradação humana também) tão patente a partir da segunda metade do século XX. O que eu aprendo o escutando ou dançando? Bem sei também que não posso exigir que tudo nessa vida tenha que nos fazer refletir sobre algo maior (apesar de ter vontade de assim o afirmar), mas o que digo é que me soa uma enorme imprudência qualificá-lo como “um grande artista de nosso tempo”. Aliás, o nosso tempo não tem grandes artistas! E não sou eu quem vai provar isso, é o próprio tempo: vide como outras manifestações pops já foram ou estão sendo esquecidas (Mamonas Assassinas, Beatles, Elvis Presley, Xuxa, O Poderoso Chefão, Andy Wharol e muitos outros que, não por acaso, não consigo lembrar agora); enquanto de outro lado, os verdadeiros realistas estão vivíssimos há já 10.000 anos (Homero), 400 (Cervantes), 200 (Beethoven, Balzac, Goya), 100 (Machado de Assis, Eisenstein). Enquanto existir humanidade, esses existirão! Ao contrário daqueles outros.
Música animada para dançar em boate, coreografia bizarra e voz boa tem para todo lado. Se não tivéssemos Michael Jackson, dançaríamos Queen, Bee Gees, ou qualquer um outro que, possivelmente, ia aparecer. Agora, se não tivesse existido Balzac, compreenderíamos muito menos da sociedade francesa pós-revolução; se não tivesse existido Shakespeare, conheceríamos muito menos das nossas próprias angústias e ambições; se não tivesse existido Hesíodo, saberíamos muito menos da Grécia Antiga.
Então, amigos, para não me incomodar, simplesmente não coloquem Michael Jackson no mesmo balaio dessa turma toda (com a aparentemente simples expressão “grande artista”), trate-o de “ícone pop” (que muita gente considera elogio), aí ficamos conversados.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Realismo em Stanley Kubrick
Ainda que reconheça os primores técnicos dos filmes de Kubrick, insisto em afirmar: seus personagens típicos, sua crítica à degradação humana, seu sarcasmo e seus presságios, ou seja e num geral, seu REALISMO, é o que torna sua obra um esplendor artístico que não precisará se esforçar para perdurar na história. Seus filmes, portanto, não são grandes obras de arte apesar de seu realismo ou também por causa de seu realismo, mas principalmente pelo seu realismo!
Diferentemente da maioria das grandes produções cinematográficas, Kubrick não é entretenimento vazio, não é apenas uma ótima aplicação da técnica, não é alheio à realidade concreta e à degradação da humanidade. Os filmes fincam os pés nessa realidade objetiva, refletindo-a, criticando-a, ironizando-a. Aliás, o cineasta utiliza-se, exagerando e ironizando, dos vícios bestiais das produções tipicamente hollywoodianas justamente para criticá-las e para criticar nossa sociedade (que, boçalmente, consome tais barbarismos). Vide o abuso da sexualidade, demonstrado em ‘De Olhos Bem Fechados’ (1999): nos entregamos fácil e inconsequentemente ao refúgio escapista dos prazeres carnais, escondidos por trás de nossas máscaras, de nossas reprimendas, de nossos medos.
Na temática guerra, tão bem explorada por Kubrick, podemos ver uma rejeição (também presente às vezes no exagero irônico da própria utilização) do uso sensacionalista e trivialmente emotivo que as tradicionais produções sobre guerra empregam. Assim, perfaz-se uma crítica audaz não só à esse tipo de produção, mas também à predisposição humana à apreciação da violência e do abuso de um ser-humano por parte de outro supostamente inferior (Nascido Para Matar, 1987). A cena inicial, em que o Sargento Hartman se apresenta para os novos recrutados, é significativa:
É explicitada, também, a supremacia que a humanização deve ter sobre essa barbárie animalesca que é a guerra (Glória Feita de Sangue, 1957). Não há como não se emocionar com a cena final, a contrapelo das crueldades das batalhas:
Kubrick é talvez o único cineasta eminentemente realista de nossa era pós-moderna. O pioneiro não foi senão Sergei Einseinstein, que utilizou de um apurado conhecimento teórico e uma audácia revolucionária na utilização de recursos cinematográficos – e isso é o que é secundário em sua obra – para nos mostrar com inigualável realismo sua visão (e a visão dos comunistas daquela época) sobre a Revolução Russa de 1917, que foi um dos momentos históricos mais importantes para a humanidade – e isso é o que é a sua principal contribuição.
Stanley nos mostra também que o realismo não impede a comédia, a diversão. Por meio do sarcasmo e da ironia, presente em vários filmes dele, Kubrick ressalta um ou outro ponto de vista seu (ou de sua época). Algumas banais discussões entre um norte-americano e um soviético e mesmo as atitudes de ambos em Dr. Stranglove, por exemplo, representam exatamente a cega incongruência na qual entrara a guerra fria. Em Laranja Mecânica, é memorável a utilização que o personagem Alex faz de uma escultura em forma de pênis para matar uma senhora – de uma só vez, Kubrick exalta e desmarcara, com ironia, toda essa tendência eminentemente mercadológica em se explorar o sexo e a violência. Como já citado, o tratamento de guerra desumano na primeira parte de Nascido para Matar também representa uma fina ironia tanto para os modos mesmo de recrutamento para a guerra do Vietnã e para tantas outras guerras financiadas pelas grandes potências, quanto para a exploração que se faz disso – de modo acrítico – sobretudo no cinema e na TV.
O fato é que, com Stanley Kubrick, aprendemos muito da condição humana – e de seus devaneios, jogos de interesse, bestialidades, desejos reprimidos – e do próprio fazer cinematográfico – aparentemente criticando essa tendência mercadológica pelas quais a grande parte dos diretores, produtores e empresas ousa em aderir.
Diferentemente da maioria das grandes produções cinematográficas, Kubrick não é entretenimento vazio, não é apenas uma ótima aplicação da técnica, não é alheio à realidade concreta e à degradação da humanidade. Os filmes fincam os pés nessa realidade objetiva, refletindo-a, criticando-a, ironizando-a. Aliás, o cineasta utiliza-se, exagerando e ironizando, dos vícios bestiais das produções tipicamente hollywoodianas justamente para criticá-las e para criticar nossa sociedade (que, boçalmente, consome tais barbarismos). Vide o abuso da sexualidade, demonstrado em ‘De Olhos Bem Fechados’ (1999): nos entregamos fácil e inconsequentemente ao refúgio escapista dos prazeres carnais, escondidos por trás de nossas máscaras, de nossas reprimendas, de nossos medos.
Na temática guerra, tão bem explorada por Kubrick, podemos ver uma rejeição (também presente às vezes no exagero irônico da própria utilização) do uso sensacionalista e trivialmente emotivo que as tradicionais produções sobre guerra empregam. Assim, perfaz-se uma crítica audaz não só à esse tipo de produção, mas também à predisposição humana à apreciação da violência e do abuso de um ser-humano por parte de outro supostamente inferior (Nascido Para Matar, 1987). A cena inicial, em que o Sargento Hartman se apresenta para os novos recrutados, é significativa:
É explicitada, também, a supremacia que a humanização deve ter sobre essa barbárie animalesca que é a guerra (Glória Feita de Sangue, 1957). Não há como não se emocionar com a cena final, a contrapelo das crueldades das batalhas:
Kubrick é talvez o único cineasta eminentemente realista de nossa era pós-moderna. O pioneiro não foi senão Sergei Einseinstein, que utilizou de um apurado conhecimento teórico e uma audácia revolucionária na utilização de recursos cinematográficos – e isso é o que é secundário em sua obra – para nos mostrar com inigualável realismo sua visão (e a visão dos comunistas daquela época) sobre a Revolução Russa de 1917, que foi um dos momentos históricos mais importantes para a humanidade – e isso é o que é a sua principal contribuição.
Stanley nos mostra também que o realismo não impede a comédia, a diversão. Por meio do sarcasmo e da ironia, presente em vários filmes dele, Kubrick ressalta um ou outro ponto de vista seu (ou de sua época). Algumas banais discussões entre um norte-americano e um soviético e mesmo as atitudes de ambos em Dr. Stranglove, por exemplo, representam exatamente a cega incongruência na qual entrara a guerra fria. Em Laranja Mecânica, é memorável a utilização que o personagem Alex faz de uma escultura em forma de pênis para matar uma senhora – de uma só vez, Kubrick exalta e desmarcara, com ironia, toda essa tendência eminentemente mercadológica em se explorar o sexo e a violência. Como já citado, o tratamento de guerra desumano na primeira parte de Nascido para Matar também representa uma fina ironia tanto para os modos mesmo de recrutamento para a guerra do Vietnã e para tantas outras guerras financiadas pelas grandes potências, quanto para a exploração que se faz disso – de modo acrítico – sobretudo no cinema e na TV.
O fato é que, com Stanley Kubrick, aprendemos muito da condição humana – e de seus devaneios, jogos de interesse, bestialidades, desejos reprimidos – e do próprio fazer cinematográfico – aparentemente criticando essa tendência mercadológica pelas quais a grande parte dos diretores, produtores e empresas ousa em aderir.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
27º Festivale – Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha
Entre os dias 26 de julho e 1º de agosto de 2009 tive a satisfação de trabalhar na Assessoria de Comunicação do 27º Festivale, que aconteceu em Grão Mogol, norte de Minas Gerais. Esse evento, que é realizado pela FECAJE – Federação das Entidades Artísticas e Culturais do Vale do Jequitinhonha – e pela prefeitura da cidade, é sediado a cada ano em uma cidade diferente do Vale do Jequitinhonha, uma das regiões menos desenvolvidas de Minas Gerais, mas que conta com uma cultura riquíssima e um povo extremamente batalhador, humilde e inteligente.
A Assessoria contou com estudantes de jornalismo, professor e técnico da UFMG, integrantes da ONG AIC (Associação Imagem Comunitária) e jovens das cidades de Araçuaí, Grão Mogol, Itaobim e Padre Paraíso, que haviam recebido capacitação anteriormente. No total, 30 pessoas participaram. Houve 4 frentes, todas com produção e veiculação diária: impresso, radifônico, audiovisual e web.
O que mais me comovia era ver a satisfação dos meninos ao ver os produtos que eles ajudaram a fazer “no ar”. Se não fosse a AIC e o Polo, a grande maioria dos jovens nunca teria a oportunidade de pegar em uma câmera, de sentar a frente de um computador para postar em um blog, de conversar com grandes artistas, de conviver com tanta cultura, de se relacionar tão diretamente com pessoas de universos tão diferentes. Sinto que proporcionar isso a eles foi de uma importância crucial na vida de todos. Eles não são mais os mesmos, definitivamente. Todos tiveram uma experiência profissional e pessoal ímpar, que irá ajudá-los – e já os ajuda – a se relacionar, a ter disciplina, a dar sugestões, a ser ativo, a se sentir importante. A maior lição pessoal que tiro desse trabalho é que nós – estudantes, professores, técnicos – devemos sempre ter a sensibilidade de estimular e ajudar jovens como esses, que, talvez por conta do vídeo, do computador, da leitura, da cultura, é que não estão indo no caminho errado, no caminho das drogas, da submissão, da desistência. Essa resistência cultural é uma resistência de vida, frente a todas barreiras a todo instante impostas a eles. Para saltá-los, as pernas desses meninos estão muito mais largas ao final do Festivale.
E essa sensação se estende aos jovens de outras cidades, outros projetos, que vi nas ruas, brincando de ciranda, fazendo oficinas, declamando poemas... É maravilhoso ver que, a despeito da imposição da indústria cultural, que faz parecer que não existe nada além dela, esses jovens estão se despertando para a cultura que realmente os representa, para a ideia de que há espaço para eles se manifestarem. Sem dúvida alguma, sentir esse foco de resistência foi o que mais me gratificou em ter trabalhado e curtido o Festivale.
Aliás, do ponto de vista artístico cabe uma reflexão: para mim, arte é aquilo que, com refinado domínio da forma, reflete a realidade. Se através da arte for haver diversão, por exemplo, deve ser uma conseqüência e não um princípio. Nesse sentido, pensemos nas atrações do 27º Festivale... A partir delas pudemos, ainda que não tenhamos percebido, conhecer muito mais do Vale do Jequitinhonha – e veja que eu não disse apenas da cultura do Vale do Jequitinhonha. Através das roupas, dos chapéus, dos sons, dos tambores, das letras, das danças, dos coros, pudemos saber como é a vida de um jequitinhonhense típico. É o coral que canta o canto das lavadeiras, é o artesanato que expõe o sertanejo, as roupas e as bebidas da região, é o cantor que nos faz dançar ciranda, é o forró e o samba de raiz, o poema realista, são os grupos de folia, as apresentações de teatro... Enfim, o Festivale é de fato a união não só da cultura do Vale do Jequitinhonha, mas a reunião do que representa o Vale, do que é viver no Vale. Para conhecer essa região, o evento é um prato cheio. E acredito que eu consegui abocanhá-lo.
Do ponto de vista acadêmico, a contribuição da experiência passa pelos mesmos pontos: como quero trabalhar com crítica de arte, e sempre me via cético em relação à cultura popular, o Festivale me mostrou que não há nada mais espontâneo e sincero do que as manifestações genuinamente populares, e que a cultura que emana de fato do povo ainda resiste bravamente frente às imposições unilaterais.
A Assessoria contou com estudantes de jornalismo, professor e técnico da UFMG, integrantes da ONG AIC (Associação Imagem Comunitária) e jovens das cidades de Araçuaí, Grão Mogol, Itaobim e Padre Paraíso, que haviam recebido capacitação anteriormente. No total, 30 pessoas participaram. Houve 4 frentes, todas com produção e veiculação diária: impresso, radifônico, audiovisual e web.
O que mais me comovia era ver a satisfação dos meninos ao ver os produtos que eles ajudaram a fazer “no ar”. Se não fosse a AIC e o Polo, a grande maioria dos jovens nunca teria a oportunidade de pegar em uma câmera, de sentar a frente de um computador para postar em um blog, de conversar com grandes artistas, de conviver com tanta cultura, de se relacionar tão diretamente com pessoas de universos tão diferentes. Sinto que proporcionar isso a eles foi de uma importância crucial na vida de todos. Eles não são mais os mesmos, definitivamente. Todos tiveram uma experiência profissional e pessoal ímpar, que irá ajudá-los – e já os ajuda – a se relacionar, a ter disciplina, a dar sugestões, a ser ativo, a se sentir importante. A maior lição pessoal que tiro desse trabalho é que nós – estudantes, professores, técnicos – devemos sempre ter a sensibilidade de estimular e ajudar jovens como esses, que, talvez por conta do vídeo, do computador, da leitura, da cultura, é que não estão indo no caminho errado, no caminho das drogas, da submissão, da desistência. Essa resistência cultural é uma resistência de vida, frente a todas barreiras a todo instante impostas a eles. Para saltá-los, as pernas desses meninos estão muito mais largas ao final do Festivale.
E essa sensação se estende aos jovens de outras cidades, outros projetos, que vi nas ruas, brincando de ciranda, fazendo oficinas, declamando poemas... É maravilhoso ver que, a despeito da imposição da indústria cultural, que faz parecer que não existe nada além dela, esses jovens estão se despertando para a cultura que realmente os representa, para a ideia de que há espaço para eles se manifestarem. Sem dúvida alguma, sentir esse foco de resistência foi o que mais me gratificou em ter trabalhado e curtido o Festivale.
Aliás, do ponto de vista artístico cabe uma reflexão: para mim, arte é aquilo que, com refinado domínio da forma, reflete a realidade. Se através da arte for haver diversão, por exemplo, deve ser uma conseqüência e não um princípio. Nesse sentido, pensemos nas atrações do 27º Festivale... A partir delas pudemos, ainda que não tenhamos percebido, conhecer muito mais do Vale do Jequitinhonha – e veja que eu não disse apenas da cultura do Vale do Jequitinhonha. Através das roupas, dos chapéus, dos sons, dos tambores, das letras, das danças, dos coros, pudemos saber como é a vida de um jequitinhonhense típico. É o coral que canta o canto das lavadeiras, é o artesanato que expõe o sertanejo, as roupas e as bebidas da região, é o cantor que nos faz dançar ciranda, é o forró e o samba de raiz, o poema realista, são os grupos de folia, as apresentações de teatro... Enfim, o Festivale é de fato a união não só da cultura do Vale do Jequitinhonha, mas a reunião do que representa o Vale, do que é viver no Vale. Para conhecer essa região, o evento é um prato cheio. E acredito que eu consegui abocanhá-lo.
Do ponto de vista acadêmico, a contribuição da experiência passa pelos mesmos pontos: como quero trabalhar com crítica de arte, e sempre me via cético em relação à cultura popular, o Festivale me mostrou que não há nada mais espontâneo e sincero do que as manifestações genuinamente populares, e que a cultura que emana de fato do povo ainda resiste bravamente frente às imposições unilaterais.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Ode ao Realismo!
A justiça da homenagem, que raramente é realizada de fato, estaria feita se eu começasse esse blog com uma produção artística que justificaria não só o meu apego à arte, mas mesmo a sua própria existência. Seria ela, sem dúvida, uma obra essencialmente realista. Se bem que eu não seria de modo algum injusto se eu lançasse esse blog com uma miséria pós-moderna: só se justifica a defesa enfática do realismo em virtude da persistência dessas contrariações fugazes mas em contínua e sustentável substituição. Porém, escolhendo esta alternativa eu seria desaforado com o mundo fragmentário – que diz impossível o estabelecimento de metanarrativas e discursos totalizantes (“totalitários”) – preferindo Marcel Duchamp a Andy Wharol, Beatles a Madonna, Paulo Coelho a JK Rowling ou Nam June Paik a Almodóvar. E escolhendo a primeira opção, tentando fazer justiça a meus grandes mestres estéticos, seria doloroso ter que optar por um ou outro dentre Balzac, Kafka, Machado de Assis, Tolstoi, Shakespeare, Beethoven, Bach, Picasso, Goya, Kubrick, Kurosawa e tantos outros ícones realistas.
Sinto-me um pouco satisfeito, então, tento citado alguns dos meus deuses e meus demônios. Espero, ao longo das postagens, defender aqueles e repudiar esses, mostrando porque uns estão fadados à eternidade enquanto de outros o tempo (curto) dará conta. Não sou eu, nem ninguém (talvez com a honrosa exceção de Lukács), que conseguirá convencer a gregos e troianos (para usar Homero que não coloquei na minha lista acima) que a arte só é ARTE se realista ela for, ou seja, se refletir, a seu modo, a realidade objetiva. O tempo, repito, se encarregará dessa fácil missão. Vou tentar exigir de um neto, se inteligente e estudado for, que cumpra uma promessa por mim: se em 2100 se continuar a apreciar e a estudar os “artistas” pós-modernos citados, ele pode queimar tudo o que eu tenha escrito (para não dizer que possa queimar toda minha biblioteca eminentemente realista). Ou pode, o que também não deixa de ser uma decisão sensata, desistir de sua resistência. Pode, ainda e por fim, se entregar, de corpo e alma, à esses prazeres sensórios fugazes. Essa última alternativa, cá pra nós, não esbanja dignidade.
Sinto-me um pouco satisfeito, então, tento citado alguns dos meus deuses e meus demônios. Espero, ao longo das postagens, defender aqueles e repudiar esses, mostrando porque uns estão fadados à eternidade enquanto de outros o tempo (curto) dará conta. Não sou eu, nem ninguém (talvez com a honrosa exceção de Lukács), que conseguirá convencer a gregos e troianos (para usar Homero que não coloquei na minha lista acima) que a arte só é ARTE se realista ela for, ou seja, se refletir, a seu modo, a realidade objetiva. O tempo, repito, se encarregará dessa fácil missão. Vou tentar exigir de um neto, se inteligente e estudado for, que cumpra uma promessa por mim: se em 2100 se continuar a apreciar e a estudar os “artistas” pós-modernos citados, ele pode queimar tudo o que eu tenha escrito (para não dizer que possa queimar toda minha biblioteca eminentemente realista). Ou pode, o que também não deixa de ser uma decisão sensata, desistir de sua resistência. Pode, ainda e por fim, se entregar, de corpo e alma, à esses prazeres sensórios fugazes. Essa última alternativa, cá pra nós, não esbanja dignidade.
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